Amor é um texto. Sexo é um esporte.
Amor não exige a presença do “outro”; o sexo, no mínimo, precisa de uma “mãozinha”. Certos amores nem precisam de parceiro; florescem até mas sozinhos, na solidão e na loucura.
Sexo, não – é mais realista. Nesse sentido, amor é uma busca de ilusão. Sexo é uma bruta vontade de verdade. Amor muitas vezes e uma masturbação. Seco, não.
O amor vem de dentro, o sexo vem de fora, o amor vem de nós e demora.
O sexo vem dos outros e vai embora.
Amor é bossa nova; sexo é carnaval.
Não somos vítimas do amor, só do sexo.
“O sexo é uma selva de epiléticos” ou “O amor, se não for eterno, não era amor”
O amor inventou a alma, a eternidade, a linguagem, a moral.
O sexo inventou a moral também do lado de fora de sua jaula, onde ele ruge.
O amor tem algo de ridículo, de patético, principalmente nas grandes paixões.
O sexo é mais quieto, como um caubói – quando acaba a valentia, ele vem e come.
Eles dizem: “Faça amor, não faça a guerra”. Sexo quer guerra.
O ódio mata o amor, mas o ódio pode acender o sexo.
Amor é egoísta; sexo é altruísta. O amor quer superar a morte.
No sexo, a morte está ali, nas bocas...
O amor fala muito.
O sexo grita, geme, ruge, mas não se explica.
O sexo sempre existiu – das cavernas do paraíso até as saunas relax for men. Por outro lado, o amor foi inventado pelos poetas provinciais do século XII e, depois, revitalizado pelo cinema americano da direita cristã. Amor é literatura. Sexo é cinema. Amor é prosa; sexo é poesia. Amor é mulher; sexo é homem – o casamento perfeito é do travesti consigo mesmo. O amor domado protege a produção.
Sexo selvagem é uma ameaça ao bom funcionamento do mercado.
Por isso, a única maneira de controla-lo é programa-lo, como faz a indústria das sacanagens.
O mercado programa nossas fantasias.
Não há saunas relax para o amor. No entanto, em todo bordel, FINGE-SE UM “AMORZINHO” PARA INICIAR. O amor está virando um “hors-d’oeuvre” para o sexo. O amor busca uma certa “grandeza”. O sexo sonha com as partes baixas. O PERIGO DO SEXO É QUE VOCÊ PODE SE APAIXONAR. O PERIGO DO AMOR É VIRAR AMIZADE.
Com camisinha, há sexo seguro, MAS NÃO HÁ CAMISINHA PARA O AMOR.
O amor sonha com a pureza.
Sexo precisa do pecado. Amor é o sonho dos solteiros. Sexo, o sonho dos casados.
Sexo precisa da novidade, da surpresa. “O grande amor só se sente no ciúme” (Proust).
O grande sexo sente-se como uma tomada de poder. Amor é de direita. Sexo, de esquerda (ou não, dependendo do momento político.
sexta-feira, 12 de março de 2010
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